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Na busca pela máxima sustentabilidade, graxarias são indústrias consideradas essenciais. São elas as responsáveis por processar resíduos provenientes dos frigoríficos, abatedouros e açougues, produzindo variados subprodutos, caso de farinhas para rações animais.

Entretanto, por sua própria natureza, as graxarias costumam emitir muitos odores, decorrentes do processamento da matéria-prima. Estes, por sua vez podem ser bastante desagradáveis para os trabalhadores e comunidade ao redor.

Por isso, é fundamental que estes tipos de indústrias de reciclagem animal priorizem alguns mecanismos para controlar a emissão e liberação destes odores nada agradáveis. Conheça quais são esses mecanismos e veja como controlar esses odores.

Várias áreas emitem odores desagradáveis em graxarias

O odor desagradável costuma ser a forma de poluição que mais impacta a qualidade de vida do ser humano, sendo um problema de difícil condução, interferindo no bem-estar de muitas pessoas.

Mas, para que determinada substância seja odorante, ela precisa apresentar três características:

  • Ter a capacidade de ser absorvida pelo aparelho sensitivo de seres humanos;
  • Ser volátil; e
  • Causar mudanças na percepção olfativa.

Essas três características se enquadram no processo de decomposição da matéria animal ocorrida em graxarias. Exatamente por isso, este ambiente é considerado um importante gerador de odores e precisa ser controlado.

Neste tipo de ambiente, o odor será gerado por meio de diferentes fontes de emissão, ligadas aos seguintes pontos dentro desse tipo de indústria:

1 – Área de descarga. Este é o ambiente onde as carcaças são transferidas para os silos de armazenamento. Apesar de ser uma área com odores, normalmente suas concentrações são relativamente baixas;

2 – Processos de cocção (digestão). Nestes processos as carcaças são reduzidas e aquecidas com vapor normalmente indireto para liberar o material graxo. Esta etapa é considerada aquela que produz a maior concentração de substâncias odoríferas incomodativas;

3 – Processos de armazenamento do sebo. Este processo produz odores moderados, especialmente no ciclo de carga de silos vazios.

Também é importante considerar outras fontes de odores, caso do manuseio inadequado de matérias-primas e sistema de efluentes inadequados e/ou com dimensionamento incompatível com as cargas a serem tratadas e/ou mal operado.

Como controlar a emissão de odores em graxarias?

Como já citado anteriormente, o odor pode ser produzido em diversas áreas dentro das graxarias. Em razão disso, devem ser estabelecidos mecanismos de controle muito bem planejados e estabelecidos, para que nenhum ponto seja esquecido.

O primeiro ponto, neste sentido tem relação com o tempo de processamento da carcaça, visto que o excesso de odor está diretamente relacionado com o tempo decorrido entre o abate e o processamento dos resíduos.

Por isso, uma das formas de diminuir a emissão de odores consiste em manusear a matéria-prima o mais rápido possível, utilizando-a preferencialmente até no máximo 4 horas após o abate.

Mas além de tornar o tempo de processamento mais reduzido e eficiente, há alguns mecanismos de controle de odores e equipamentos que podem ser adotados em graxarias com bastante eficácia.

As técnicas mais utilizadas são condensação, absorção, adsorção e incineração.

Condensação

Neste processo são utilizados os condensadores que farão a separação da água dos gases não condensáveis, diminuindo a carga no sistema de tratamento. Dois tipos de condensadores são mais utilizados: de contato e de superfície, onde o primeiro apresenta taxa de remoção de odor muito maior que o segundo.

Entretanto, vale ressaltar que condensadores não removem adequadamente os compostos odoríferos. Por isso, devem ser utilizados em conjunto com outros tratamentos, como a associação de pós-queimadores e condensadores.

Absorção

Também conhecido como lavagem de gases, esse é um procedimento muito difundido, pois faz uso da água para eliminar o fluxo de gases poluentes gerados em graxarias.

Seu processo é simples. Aplica-se produtos oxidantes (hipoclorito de sódio, água oxigenada, permanganato de potássio, etc.) nesses lavadores de gases que atraem os compostos voláteis e os transforma em substâncias inofensivas e inodoras.

Adsorção em carvão ativado

O carvão ativado tem origem natural cuja estrutura contém uma grande quantidade de poros de diversos tamanhos, o que lhe confere alta capacidade de retenção de contaminantes dissolvidos em líquidos ou gases através do processo de adsorção.

Por isso, grande parte dos gases, oriundos dos digestores e equipamentos anteriores e posteriores destes, podem ser tratados por adsorção em carvão ativado. Mas para funcionar os gases devem estar secos, a baixas temperaturas (menos de 49ºC) e isentos de material particulado, tais necessidades tornam o processo pouco utilizado.

Incineração

Método bastante efetivo para a remoção de odores indesejáveis em graxarias, podendo ser utilizada sozinha ou num sistema acoplado a outros equipamentos. Apesar disso, é importante que a incineração seja completa, já que oxidações parciais podem gerar compostos odoríferos iguais ou ainda piores.

Um dos grandes problemas da incineração é o alto consumo de combustível devido ao grande volume de gases odoríferos a serem tratados. Neste sentido, um sistema condensador-incinerador pode ser adotado, já que o condensador pode reduzir a quantidade dos gases para o incinerador, reduzindo o gasto com combustíveis.

Por fim, é importante citar que em graxarias o odor não é considerado tóxico, mas é muito incômodo levando muitas vezes a restrições de funcionamento da atividade industrial. Por estas razões é importante que toda graxaria pondere uma boa gestão ambiental e industrial para que os efeitos dos odores desagradáveis sejam minimizados.

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